




Hoje no intervalo eu não a vi. Segui todos os passos que costumo fazer diariamente, me dirigindo à arquibancada da escola, já que agora é lá que meus amigos e eu ficamos. Muitas pessoas costumam lanchar e ir até a quadra para ver o que ocorre com os raios de sol e os alunos, mas ela não fez isso. O que eu notei de estranho é que o grupo da magrela estava conversando baixo e concentradamente. Os minutos sem lição passaram tão bem quanto chegaram, não me preocupei. Ainda hoje recebi algumas lições para pesquisa e alguns pensamentos adultos na cabeça.
No dia seguinte, lá estou eu, desta vez sento no primeiro banco que encontro, estou cansado e não quero ser como um garçom de restaurante que acolhe as pessoas com um belo sorriso e pergunta em que pode ajudar oferecendo um vasto cardápio, hoje eu só quero ser eu mesmo, tanto quantos meus amigos mais tímidos que chegam já quando o sinal bate para evitar falar com outras pessoas e questionam somente quando querem ir ao banheiro.
Ela chega até onde estou já quando o sinal está para soar, e trocamos uma saudação. No intervalo, eu ainda cansado a encontro e antes que eu lance a pergunta ‘Tudo bem?’ ela me abre um sorriso e vem falando baixo em minha direção, coisas que eu não sei dizer se tem nexo... Não. Não são palavras amorosas se é isto o que pensou caro(a) leitor(a), são textos, são contos e histórias, como bons velhos amigos conversando. O que me impressionou é que mal nos falávamos e agora ela fala comigo como vejo conversar os grandões com seus amigos. Sentamos ali perto mesmo sobre o chão gelado da escola e ficamos até o término do intervalo. Nesta altura meus amigos já começaram a pensar que eu os trocara por outros, mas o fato de estarem sempre em bando e não andar muito não os deixava ver que eu tinha outros afazeres. Hoje não foi um dia tão ruim...
Final de semana e eu pensando nos dias passados. Acho que você já deve ter uma noção do que me acontece, então pense comigo: Em algumas linhas passadas eu disse que a vi sentado com um garoto sei lá de qual sala, bem as forma que descrevi antes, depois assim do nada ambos tomam seu caminho, eu disse também que ela passou a me tratar como um grande amigo mesmo sem ter muito tempo de amizade, e é sempre desta forma que nas novelas acontecem as coisas ruins, e se novelas se baseiam em coisas do cotidianos de uma sociedade, eu não quero que isso continue. Pois já decidi o que desejo. Eu desejo voltar a ser como antes, não quero que pensem que tenho amigas legais e/ou bonitas e que um da em cima do outro e uns dias depois nem se falam mais. Prefiro ter poucos e feios amigos e tê-los pela vida toda do que muitos bonitos e perde-los a cada momento.
Este pensamento me seguiu e orientou-me até segunda-feira. Já na escola, tratei de não ser tão simpático com ela e evitei passar muito tempo conversando no intervalo com ela. Segui esta receita até a sexta e sei que hoje ela não está tão da mesma forma como antes, e posso dizer que voltei a ficar muito mais tempo com meus amigos do que andando pela escola. Ela é legal, fala OI e segue a vida dela (conversando com muitas pessoas), e eu sigo a minha. Ainda bem :)
De repente eu a conheço. É, aquela menina, a mais nova, que estuda na outra sala, agora troca ‘olá’ com minha pessoa. Não sei ao certo como e quando isso passou a acontecer, mas já é fato, saudamos um ao outro, talvez porque não gosto de olhar para uma pessoa sem fazer uma saudação.
Mas agora me lembro, no começo do ano ela chegou com um grupo de meninas, depois a vi algumas vezes sozinha e outras a vi com um garoto sei lá de qual sala.
Confesso que não me dei ao luxo de perguntar seu nome ainda, mas sei que isso ainda acontecerá, mas a beleza com que me sorri nos intervalos e momentos em que nos saudamos pela escola já me alegra o coração. Acho que ela gosta de ser simpática (é este o nome culto que os adultos falam para designar pessoas legais ou sociáveis não é?...), ou gosta de todo mundo mesmo...
E mais um dia se passa, na paz e normalidade que mereço. E no dia seguinte, quinta-feira cedinho, lá estou eu novamente seguindo o roteiro: Dar uma enroladinha antes de levantar da cama, etc etc etc até chegar na escola...
Hoje, três minutos antes de bater o sinal de entrada, eu a encontro (sim a moça simpática) e resolvo dizer, todo empolgado, aquele bom dia de alegrar até máscara triste de teatro, e como vi na TV, aqueles bons modos verbais e físicos, a elogiei sobre algo que vi repentinamente. Acredito que ela não estava esperando isso de minha parte já que ela ficou me olhando e antes que ela tivesse a chance de acreditar em seus ouvidos e pensar em uma retribuição, o sinal toca.
Não quero esperar pra ver no que vai dar e me despeço normalmente dirigindo-me até a minha sala. Agora não sei o que me acontecerá, já que o professor acaba de chegar e pode ser que se eu continuar isso nem chegue a virar um capítulo (post) se o professor resolver conferir o tipo de lição que escrevo neste momento...
