

Era uma quarta-feira de março, e eu estava com meus amigos, ou assim dizíamos para chamar um grupo de pessoas (jovens) reunidas conversando sobre assuntos sem importância. O intervalo da escola não era o mais demorado das demais escolas da região, mas era o suficiente para conseguir conversar sobre nossas idéias e planos.
Só que neste sai, porém, o que se sucedeu foi que a magrela de aparelho resolveu sentar bem no banco onde costumávamos conversar para passar o tempo (as chatas não ligam para certos detalhes)
E agora??? Onde mais encontrar abrigo, onde poderíamos conversar tranquilamente sobre planos para colocar chiclete na cadeira do (a) professor (a) chato a fim de atrasar a aula com uma hora de sermões? Logo surgiu a idéia de... Mudar de banco.É, o banco ao lado, como não pensei nisto antes, não era tão perto, mas era o banco ao lado, mas este pareceu-me impossível visto que aquele era o lugar marcado dos valentões da escola, e há de quem relar o dedo lá... Imagina eu, pequeno, magrelo, aquele definitivamente não era o dia de brigas para o meu lado.
Não podíamos passar o resto do intervalo em pé, olhando para as meninas que cochichavam e davam risadas, talvez da situação em nos ver parados olhando para elas com cara de bobo. Então um deles resolveu tirar satisfações com uma delas, e como numa tropa, ele deu um passo a frente, como um voluntário, forçado a ter que ir ao trabalho, posto como negação, a invasão eterna do nosso acento, mais: Do nosso abrigo, do nosso QG. Eu o vi seguir um árduo caminho, desde o ponto onde estávamos até o banco das magrelas, e eis que no decorrer de três minutos vendo que a conversa entre meu amigo e as meninas estava boa, meus outros amigos resolveram me abandonar sem nem ao menos olhar para mim, e mais uma vez me vejo traído.
Vendo eu a solidão, e até onde pode chegar o feitiço das sereias, precipito-me logo a procurar uma outra coisa que não me lembrasse este fato, e olho ao chão, vi que meus pés estavam prestes a quebrar uma linda gargantilha que parecia bem feminina. Com um gesto de quem está prestes a pegar outra rota de navegação, me agacho e pego a gargantinha no intuito de entregar à coordenação da escola, mas quando me levanto, eis que vejo algo, é a magrinha que está próximo a mim e pergunta o motivo pelo qual eu não fui com os outros. Fico meio sem reação e ela percebe a gargantilha em minhas mãos, tirando as suas próprias conclusões e agradece-me pelo presente, onde neste mesmo momento ouvi uma de suas amigas chamar por ela para ver alguma gracinha dos meus amigos, e neste mesmo momento em que a vi de costas para mim, aproveitei para encontrar refúgio em outro lugar da escola, e de preferência bem longe de tudo e dela. E na jornada até meu refúgio finalmente ouso tocar o sinal para voltar à sala de aula, e entre contas e textos esquecer o que aconteceu. Permaneço calado até a hora de ir para casa, mas ainda com a sensação de que este ainda não foi a máxima que o destino preparou para mim.